Doces tolices

Estudos para um grande conto

Posted by: Iana Chan on: 10/12/2009

Metáfora: coisas simples da vida merecem mais atenção.

Crime: resolvido nos detalhes.

Criminoso: um inocente circunstancial.

Cenário: tons contrastantes. roxo escuro, azul noite e laranja sol.

Tags: chuva de raios de-sol-adora.

Tempo: sempre.

Quem: todos nós.

Enlace: rosa e grande.

Escrito no meu caderno dia 25/12/2008.

Tento me lembrar se estava sob efeitos de drogas natalinas. Não consegui.

Um beijo.

Jayme Ovalle

Posted by: Iana Chan on: 31/07/2009

Meus dedos não podem mais, nem deveriam. O olhar é soberano, sempre. Não adianta discutir. Mas os olhos estão tão embaçados que não posso mais te enxergar.

Não te conheço mais, são seus traços; mas não é você. Seus gestos estão bem longe das minhas lembranças.

Tente abraçar um desconhecido e fazê-lo perceber que vocês um dia já foram amigos. As promessas foram todas erudidas pelo tempo. Como uma colher de açúcar dissolvendo-se no chá. Café. Se alguém apostava contra o tempo, então, que entregue suas moedas de ouro chocolate.

Há horas em que não adianta mais tentar mantê-lo por perto. Ele vai se debater e voar. Não sem antes te arranhar mais uma vez. Ninguém mandou tentar aprisioná-lo. Resta apenas observá-lo ficar cada vez menor, no horizonte.

Passada a despedida, restam as lembranças. Mas a existência e a essência já não eram sobras de memórias também?

Brincar de entidades metafísicas. Aí está um dos jogos preferidos dos seres humanos.

Retrato Biológico

Posted by: Iana Chan on: 28/07/2009

A respiração seguia descontrolada  e os olhos piscavam em frequência ligeira e imperceptivelmente acima da média. Sem paciência, conferiam o ambiente no seu todo. Fractais. Tontura da movimentação ocular. Fecha-os e conta até cinco. Volta.

O sangue percorria de maneira a arrepiar cada canto de seu corpo. Era como se cada parte sofresse o sobrepeso do sentimento que passava agora por ali. E doía mais no tórax. Pulmões e coração não se entendiam. Funcionavam mais do que deveriam. Antes mais do que nunca. E param. Um segundo de morte.

Mas voltam.

O coração batia em cada recanto. Ora o antebraço, ora a parte de trás da cabeça. Nunca o peito. Pudera, já se acostumara às batidas até então felizmente incessantes do músculo mais exaltado e profundo que tem (quase) cada um ser humano.

O dedo mindinho mexia-se involuntariamente a cada exatos 137 segundos. Mas ninguém reparava, porque estavam mais preocupados em contar quantas pedras havia no bolso do paletó do Sr. Orenkovis.

Precisamente 27. Se tivesse mais uma, terminaria em 8. Bom presságio. Mas como 2+7 costumam somar 9, a numerologia aprovara também esta combinação.

Os cabelos pararam de crescer, mas isso nem eu mesmo poderia perceber. Fiquei sabendo por uma estripulia daquilo que costumamos chamar de destino.

Fortuna, escrito nas estrelas, plano divino, providência, sina, carma, maktub.

Quantas invenções criamos para dar sentido ao caos indesejável que nos constitui. E mesmo que gostássemos do caos, iríamos arrumar um jeito de não enxergá-lo, porque assim somos.

Escondemos as alegrias de nós mesmos porque sabemos que, raras, mais valiosas são.

E assim também arranja-se assunto para puxar com nossos companheiros gregários. Amizades longuíssimas nascem de reclamações sobre a atual situação desagradável que compartilham, geralmente esperas diversas: fila de banco, consultório dentário, elevador, sala de parto.

Os pés esfriavam e não seria exagero dizer que alcançaram por alguns segundos o zero absoluto. Isso explicaria a dança das pernas ansiosas, que paravam apenas quando percebiam-se nada mais do que exaustas.

A ignorância sobre a própria exploração do corpo é uma benção aos capitalistas. Percebe-se na iminência da quebra, o que é uma boa marca, diriam os bigodudos.

Mas tudo isso não importa agora: ele acaba de chegar e vai levá-la à festa embora, finalmente.

Intimidade

Posted by: Iana Chan on: 25/07/2009

– Hoje é quinta-feira, né?
– Aham, como ontem foi quarta, acredito que hoje é quinta, sim.
– E se você se enganou e ontem não foi quarta, mas quinta?! Isso faria com que hoje fosse sexta.
– Não, mas eu tenho certeza que ontem foi quarta, porque anteontem foi terça.
– Não confio no seu sistema.
– Então procure um calendário.
– Não confio em calendários também.
– Pra que quer saber que dia da semana é hoje?
– Não sei, as coisas não te parecem mais suas quando você sabe o que elas são?
– Não minhas. Mais íntimas acho, sei lá, mais à vontade, por quê?
– Então, é por isso que preciso saber que dia é hoje.
– Pra se tornar íntimo do dia?
– Uhum.

(…)

– Mas cara, ninguém fica íntimo de alguém apenas sabendo o nome.
– É que você nunca foi pra balada.

Arrasa!

Posted by: Iana Chan on: 14/07/2009

Esperei para ver se criava algo realmente razoável pro blogue, apostando comigo mesma quanto tempo demoraria até me render e fazer logo um meta-texto.
Perdi. (perdi!)
(Se eu perco pra mim mesma, devo ficar triste ou feliz?)

Quanto mais tempo se demora em fazer, mais distante torna-se a ação. Algo a ver com a força de atrito a ser vencida. Se fosse uma fórmula matemática desenharia-se mais ou menos assim: |FA = t.h|

Força de atrito (FA) pertence à escala ação (do “nem-ferrando-que-vou” até o “já-fui-galerê”), tal que a FA é diretamente proporcional ao tempo (t) que se demora em agir vezes a quantidade de hesitações (h).

Já tive tantos outros blogues que fica até chato criar mais um. Fico pensando que lixo digital deve pesar para alguém em algum canto do mundo. Deletar os e-mails que lotam nossas caixas de entrada (além de impetrarem aquela angústia pós-moderna) é uma atitude verde?

Decidi ir postando os textículos e ir apurando durante o voo. Como se eu fosse a mãe daquela menininha da quadrilha que acompanha a filhota até a boca da quadra ajeitando suas trancinhas e seu vestidinho e quando não dá mais pra ir junto grita: “Vai, filha! Arrasa!”

Talvez sem a parte do “Arrasa!”. Não combina muito com a maternidade e tal.

Doublets Egocêntricos

Posted by: Iana Chan on: 07/07/2009

Legenda:
-: interesse/afinidade
/: rejeição

-iana
iano *cheat*
-piano
-plano
pleno
-plena
pena/
-cena
cana
—cama
-coma
soma
soda/
-toda

–iana
cana
cano
pano
paro
para
parra
porra
morra
morta/
–torta
-tonta

–iana
mana
mona
mono/
-sono
solo
-solto
-solte
–sorte
-forte
force/
-forca
porca
-perca
perda//
-lerda
merda
meda
-medo/

–iana
fana
–fala
-falta/
-salta
-salto
–alto
-ato
aio
fio
pio
pia
-tia
toa
coa
-soa
sol/
mol//
-mel
mal/

–iana
dana
-dano/
dando
dardo
fardo/
farto
-parto/
-porto
-ponto
-conto
conta
canta/
-canto
-cacto
-pacto
pacho
–macho
-malho
malha/
malta
malte//
-marte
marta
-mata/

Resultado: Iana toda tonta medo mal mata. (ééé.)

Perdi,

Posted by: Iana Chan on: 07/07/2009

Mas pelo menos comecei. :)

(e depois, perder-se também é caminho, disse Clarice.)

Tags:

Chicletes